Matéria: O Ensinar da Escola e o Educar da Família

O verbo educar é tão importante que é graças a ele que nos tornamos humanos, nos socializamos e encontramos a civilidade

O que tem acontecido com nossa educação? Porque não conseguimos equacionar a tão sonhada educação de qualidade? O que vem a ser realmente educação de qualidade? Porque ainda ocupamos as piores posições no ranking mundial de educação?

Perguntas como estas e muitas outras não param de ser feitas e, infelizmente, muitos outros questionamentos encontram-se ainda sem respostas concretas. Alguns destes questionamentos se resvalam na subjetividade e, até mesmo, em quimeras.

Precisamos levar em consideração dois verbos que estão sempre sendo conjugados e, às vezes, com inversões de valores por parte das instituições família e escola: ensinar e educar. Estes não podem ser vistos como pontos dualistas, pois serão verbos conjugados sempre pelas instituições família e escola.

O verbo educar é tão importante que é graças a ele que nos tornamos humanos, nos socializamos e encontramos a civilidade. É graças ao processo educativo que o indivíduo se prepara para uma vida essencialmente prática, através de uma educação pela vida e para a vida, seja ela social, familiar e/ou profissional.

A educação deve ser trabalhada como um fator determinante para se alcançar as oportunidades na vida e também criá-las, isto é, melhorando assim quesitos do dia a dia como empregabilidade, rendimento, status, padrão de vida, conhecimento etc.

A educação deve sempre ser vista como uma ação intencional que tem por intuito não só fomentar, com também desenvolver certo número de estados físicos, intelectuais e morais do indivíduo.

Assim sendo, percebe-se sua importância, seja a mesma oferecida pela família e/ ou pela escola. É uma palavra fascinante e transformadora no discurso cotidiano.

A educação é vista como um elemento chave no combate a todos os males sociais e os males do corpo e da alma, como, os transtornos da ausência de sentido para a vida e as aflições de um cotidiano cada vez mais exclusivista, deixando o cidadão às margens da sociedade, jogado no preconceito, no risco social, desemprego, crise dos valores, ausência de limites, ausência de ética, aliciamento para o mal, dentre outros problemas de natureza humana que corrompem a sociedade.

Dessa forma, podemos complementar que a educação do homem existe por toda parte e, muito mais do que a escola, ela é o resultado da ação de todo o meio sociocultural sobre os seus participantes. É o viver e conviver, ou seja, é a coletividade que educa.

O educar é um processo quase mágico que transforma o ser humano. O tira da natureza ignorante e o transporta para uma natureza socializadora, convivendo com as diferenças, aprendendo com elas e se humanizando cada vez mais com seus semelhantes, percebendo que estas diferenças nunca são excludentes, e sim, complementares.

Vale ressaltar que os primeiros processos educacionais ocorrem no seio familiar, o que é corroborado no livro “Escola não é Depósito de Crianças: a importância da família na educação dos filhos”, publicado pela WAK em 2012, ao enfatizar que a família constitui o primeiro lugar de toda e qualquer educação. Salienta ainda a ligação entre o afetivo e o cognitivo, além da transmissão dos valores e normas.

Percebe-se que o verdadeiro educar está relacionado à família, apesar da mesma ter passado esta função às instituições escolares.

As instituições se incumbiram de fazer também o papel da família, que hoje se encontra omissa, no entanto, diga-se de passagem, fazem um papel mal feito, pois nenhuma escola é capaz de substituir o verdadeiro valor de uma família.

Essa transferência de responsabilidade se deu por motivos que vão muito além dos compromissos dos pais em melhorar o orçamento familiar. Muitos empurraram esta função por comodidade, obrigando a escola a fazer algo que ela, como responsável, não é capaz de fazer com seus filhos.

A educação realmente vem do berço, já que é na família que ocorrem os primeiros processos de socialização e educação. As crianças, ao adentrarem nos portões de qualquer instituição escolar, se olvidam do que foi ensinado – até mesmo se percebe um atenuante para a falta de limites, com dificuldades em seguir as normas pré-estabelecidas, intimidação de colegas, prática de bullying, agressões verbais e/ou físicas, comportamentos infratores, desconhecimento de autoridade, dentre outras delinquências que poderiam ter sido corrigidas pelos pais e/ou responsáveis.

É em casa que se aprende os princípios básicos de higiene e pequenas coisas que moldarão o caráter do ser humano, como, por exemplo, não mentir, não mexer nas coisas que não te pertencem, a ser pontual, a honrar os compromissos, a respeitar os mais velhos, a usar as palavras mágicas como me desculpe, com licença, por favor, e outras que abrirão as portas da civilidade.

O mais interessante é que na família se encontram os exemplos para ser um homem de bem, uma pessoa honesta e ética.

De acordo com o Papa Francisco, a família é um centro de amor, no “qual reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder’ mundanos”.

Como visto anteriormente, a família é vista como uma instituição capaz de promover a educação de seus filhos, além de influenciar seus comportamentos no meio social, com a transmissão de valores morais para o processo de socialização da criança.

É no seio familiar que a criança buscará afeto, proteção e o porto para o enfrentamento de seus problemas, estabelecendo confiança, segurança, conforto e bem estar, de forma com que possa se desenvolver da melhor forma possível.

Não bastam os pais colocarem seu filho na escola e enxergá-la como um depósito, incumbindo-a de assumir suas falhas. Cabe aos pais instigar o filho a enfrentar situações oferecidas pela escola para que ele possa descobrir seu potencial e, assim, desenvolvê-lo, tirando-o da letargia e alienação e transformando-o em agente protagônico.

Na família deveria se encontrar afeto, aceitação pessoal, satisfação, sentimento de utilidade, estabilidade, socialização, autoridade e sentimento do que é correto, mas essas atribuições foram deixadas à margem e a mesma se omitiu, empurrando para a escola não apenas o processo de ensino/aprendizagem, mas o da educação que deveria ser oferecido pelos familiares. Com isso, o educando não vê a autoridade nos educadores e passa a vê-los apenas como estranhos que se metem no seu modo de viver anarquicamente.

Logo, a instituição escola extrapola o ensinar e cabe a ela, nos dias de hoje, acompanhar a família ou até mesmo substituí-la no quesito amor, afeto, atenção; organizar a comunidade, cuidar da saúde e assistência social de seus alunos, detectar abusos, proteger os direitos e ampliar a participação social das crianças.

Não podemos dar força a inversão de valores, passando estas atribuições para a escola, porque na instituição de ensino, além de reforçar os ensinamentos oferecidos pela família, seu objetivo é ensinar disciplinas como matemática, português, inglês, geografia, história, educação física, e outras que auxiliarão o desenvolvimento intelectual da criança.

A omissão dos pais é um fato constante nos muitos casos de indisciplina e desinteresse, e esta mesma indisciplina passou a ser de completa responsabilidade da escola.

A escola que tinha a função de ensinar disciplinas e desenvolver o cognitivo da criança passou também a função de educar no sentindo de passar valores, normas e caráter. E o caráter deveria ser adquirido no leito familiar como reflexo da educação oferecida pela família.

De acordo com o livro, que se encontra no prelo pela editora WAK, intitulado “Gestão Afetiva: como gerir uma escola sem perder a emoção”, de minha autoria, é ressaltado que o ato de ensinar deve ser um processo intencionalmente aplicado por uma sociedade para que os indivíduos possam realizar os ideais aprovados por ela, sem desconsiderar as faces distintas da educação que é o desenvolvimento físico e psíquico do indivíduo.

O ensinar não pode abrir mão de seus três níveis que são psicopedagógico, sociopedagógico e biopedagógico.

No primeiro nível temos o comportamento educando x educador, no qual se faz valer a preocupação de fazer a informação semântica chegar ao receptor-educando. Neste ciclo, trabalha-se o educando em seu ambiente psicossocial, motivando-o e fazendo-o ser um bom receptor e criador de seu próprio conhecimento, mostrando que sua força interior é mais influente que as pressões sociológicas.

No nível sociopedagógico deve-se analisar as pressões vividas pela sociedade, o excesso das informações, sendo que muitas sequer têm um teor relevante para o desenvolvimento cognitivo de nossos educandos, servem apenas para iludibriar uma sociedade considerada pelos manipuladores como “sociedade inferior, povão”, formada pela grande maioria da população brasileira.

No terceiro e último nível, temos o fator biopedagógico onde a educação se preocupa com o lado da doença, da miséria e da completa abstinência.

Deverá ser na família que os educandos encontrarão atenção, carinho, respeito, dignidade, ética e bons exemplos, cabendo à escola proporcionar a seu filho a busca de um conhecimento pertinente ao seu entorno e às suas necessidades tornando-o um protagonista, um cidadão crítico e ativo.

Desta maneira, os professores precisam ser os profissionais mais polivalentes e eruditos do mercado de trabalho e, em contrapartida, os menos valorizados, ou seja, aos docentes não bastam mais a sua licenciatura de 4 anos, precisa-se também de especializações (lato sensu e stricto sensu), além de inúmeras horas de extensões para efetivarem um melhor processo e método de ensino aprendizagem.

O docente também necessitará ter conhecimentos em diversas áreas como antropologia, psicologia, psicopedagogia, pedagogia, assistência social, sociologia, filosofia, política, tecnologia da educação, neurolinguística e a própria docência em si, sem perder a ternura com seus alunos.

O livro “Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos” ressalta os problemas enfrentados nas escolas, tanto públicas quanto privadas. A indisciplina é um destaque entre os problemas atuais. Esta mesma indisciplina é fruto de uma permissividade pedagógica na qual pode-se quase tudo pelo embasado na “pedagogia do amor” ou, para ser mais direto, na “pedagogia da compreensão”, uma forma distorcida de se pensar no amor, pois quem ama corrige.

Cabe aqui perceber que, tanto o verbo ensinar quanto educar é conjugado em todas as estruturas sociais, entretanto, faz-se necessário perceber que ora na família um terá mais ênfase, e ora na escola o outro verbo terá mais ênfase, entretanto, nunca um anulará o outro e ambos estarão sempre interligados.

O verbo ensinar quando acontece na instituição escola, necessita de uma mediação pedagógica em que se baseia na atitude e comportamento do professor, que é, nos dias de hoje, apenas um mediador ou facilitador da aprendizagem.

Aquela ideia de que o professor era o senhor sabe tudo foi derrubada. Hoje, cabe a este profissional apenas o elo entre o aluno e a aprendizagem, fazendo com que ele consiga desenvolver ao máximo suas habilidades cognitivas e se torne um agente protagônico de seu destino.

Obviamente, cada escola adotará um método que buscará esta educação autêntica, e este mesmo método não deverá nunca engessar a instituição.

Em uma educação autêntica deve ser trabalhada uma relação dialógica, sobrepondo a relação verticalizada que ainda prevalece em algumas escolas. A imposição de uma verdade embasada em falácias deve ser substituída pelo diálogo que levará o aluno a ser um ser questionador e a construir o seu próprio conhecimento.

Cada escola tem a sua especificidade e isso pode mudar de acordo com o tempo, o gestor deve perceber tais mudanças e alinhar junto ao seu corpo docente, novos métodos que se tornem mais eficazes no processo ensino/aprendizagem. O fato é que a escola reflete sempre a atual gestão em si.

A família é de suma relevância neste processo educacional e, independentemente ao tipo de família, seja ela nuclear, matrimonial, convivencial, monoparental, socioafetiva, homoafetiva, mosaica, pluriafaetiva ou qualquer outra que apareça nos termos judiciais, será sempre o mais importante grupo social que o ser humano poderá vivenciar. Ela precisa ter consonância com a escola.

Reforçando o que foi visto anteriormente, é na família que ocorre o primeiro processo de socialização, que se aprende a conviver com as diferenças, que se encontra o amparo psicológico e a formação de caráter.

Cabe a família o afeto, embora as escolas tenham trabalhado esta afetividade, elas jamais irão substituir na mesma intensidade o oferecido pela família.

A escola está ciente da importância da afetividade, e esta afetividade passou a ser de suma importância no processo ensino/ aprendizagem. As crianças necessitam deste lado afetivo para se sentirem amadas e protegidas, visto que toda aprendizagem passa pela emoção. É importante o aluno se sentir seguro e confiante.

Será na família que os pequenos detalhes deixarão grandes marcas, e será nela que a criança será educada, mas para que esta educação ocorra de forma a desenvolver todas as habilidades do educando, tanto física, intelectual e moral, a mesma deverá contar com a parceria da escola.

A educação deve tornar o indivíduo mais consciente sem aprisioná-lo, e tampouco deixá-lo dependente, assim sendo, cabe a escola fugir ao instrucionismo que tem como consequência a domesticação subalterna.

Entretanto, fazer o aluno pensar, ter discernimento, ser um agente protagônicocognoscente e um cidadão critico, escola e família deverão caminhar juntas para esta seara que será a educação como transformação da sociedade.

A escola ensina, e ensinar é criar possibilidades para produção ou construção do conhecimento, e uma das formas é aguçando a curiosidade do aluno para que este possa saná-la por meio da pesquisa, fazendo uso do método freireano.

Para Paulo Freire não há ensino sem pesquisa e tampouco pesquisa sem ensino, pesquisa-se para constatar, constatando, intervém, intervindo se educa e me educo. A pesquisa é uma forma para conhecer o que ainda é desconhecido.

Pode-se complementar ainda que o verbo ensinar é fazer com que o aluno produza o seu conhecimento e se transforme em um ser pensante, atuante e, neste quesito, a escola deve atuar e a família fazer um acompanhamento de forma a resguardar este direito da criança em aprender, fazendo valer o Estatuto da Criança e do Adolescente no artigo 129 e inciso V ao qual ressalta que os pais, além da matrícula, têm o dever de acompanhar a frequência e o aproveitamento escolar do filho […] garantir a permanência, bem como no de observar e participar da evolução escolar da criança ou adolescente, avaliando seus progressos individuais e estimulando-os para que o estudo seja-lhes rentoso.

Infelizmente, muitas famílias ficam omissas ou se olvidam dessa atividade. Elas acreditam que basta matricular seu filho e cabe à escola fazer todo o resto, sentindo-se no direito de cobrar resultados positivos.

De acordo com o livro “Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos”, é salientado que, quando os pais se comprometem com a orientação educacional de seu filho, o seu rendimento é mais positivo.

Escola e família devem exercer uma parceria em que uma complementará a outra, ou seja, na família serão constituídas as alegrias e os desejos e na escola o alicerce para a formação elaborada desta criança.

A criança, para aprender, precisa estar se sentindo bem, pois não há ensino que não se embase em uma atenção afetuosa, alegre, disponível e promotora da autonomia.

O fato é que a escola nunca substituirá a carência deixada pela família e isso infelizmente refletirá no comportamento e no processo ensino/aprendizagem da criança. De de acordo com o livro “Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos”, o homem recebe a influência e a afetividade da atmosfera familiar.

 

Ciente de que a afetividade é um fator primordial para a aprendizagem da criança, faz-se necessário uma relação professor/ família/aluno, isto porque a aprendizagem está relacionada com a emoção e a criança precisa se sentir segura.

O docente deve então usar a sua arte para reencantar seus alunos, despertando nestes a capacidade de engajar-se e de se transformar. Fazendo o uso da fala de Paulo Freire como um verdadeiro mantra ao afirmar que a “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”, bastaria a educação transformar as pessoas para que as coisas acontecessem por si só.

Entretanto não bastaria transformar as pessoas, pois existem muitas variáveis relacionadas nestas transformações além da educação e professores. Os pensadores educadores perceberam que o emocional da criança poderia funcionar como colaborador ou inibidor neste processo ensinoaprendizagem.

Jean Jacques Rosseau era enfático ao dizer que, independentemente da carreira a ser seguida por seu aluno, e até mesmo antes da vocação dos pais, a natureza o chama para a vida humana. Cabia a ele ensinar a viver. Não sairia de suas mãos nem um magistrado, nem um soldado, padre ou qualquer outra profissão, pois, primeiramente, este aluno seria um homem. Já era sabido no século XVIII que as relações afetivas com os alunos eram importantes para que ocorresse um educar completo.

 

Ainda no livro “Gestão Afetiva: como gerir uma escola sem perder a emoção”, que se encontra no prelo, é dissertado que uma criança para aprender precisa criar um vínculo com a professora e uma forma de isto ocorrer será através da escuta pedagógica, isso porque as demandas efetivas, físicas, sociais e cognitivas não se excluem, mas coexistem.

A escuta pedagógica auxiliará o professor a desenvolver em seu aluno a autoestima e a acreditar em si mesmo.

A escuta não se limita ao campo da fala, ou seja, a audição. Ela se baseia nos detalhes que o aluno não disse, mas expressou conscientemente ou inconscientemente através de sua linguagem corporal.

Foi dissertado no livro “Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos”, a importância da parceria entre família e escola, sendo que na família os pais e demais familiares têm que servir de exemplo para as crianças.

Uma vez entendido a função da família e da escola, fica mais fácil buscar possíveis respostas aos questionamentos levantados no início do texto.

Como a escola poderia ensinar tolerância, se o aluno em sua casa é vítima da intolerância dos pais?

Como ensinar o humanismo, o respeito às diferenças, se na família as crianças convivem com religiosos fanáticos que tolhem a liberdade de escolha?

O que tem acontecido com nossa educação? É fácil perceber que houve algumas mudanças, umas favoráveis e as outras não tão favoráveis assim. Um fator negativo é a permissividade do sistema e o excesso de direitos que os alunos têm sobrepondo seus deveres e a autoridade dos professores em sala de aula. Cabe aqui ressaltar que autoridade é diferente de autoritarismo.

Porque não conseguimos equacionar a tão sonhada educação de qualidade? Em resposta a este questionamento, basta que o fato de não equacionarmos a tão sonhada educação é porque somos seres ímpares e temos as nossas especificidades.

Dessa forma, a educação não poderá nunca ser padronizada, cabendo aos professores dar a liberdade ao aluno, fomentar nele a criatividade, a autonomia e aguçar a sua curiosidade, sem jamais engessá-lo.

O questionamento a seguir, é sobre o que vem a ser realmente educação de qualidade? Parte-se do pressuposto que a educação de qualidade é aquela que desenvolve todo potencial possível no aluno. Aquela que faz dele um agente protagônico cognoscente, que o transforma em um cidadão crítico a ponto do mesmo poder transformar o seu entorno e a sua realidade.

 

Obviamente, para se chegar a uma educação de qualidade, de acordo com o livro que se encontra no prelo pela editora WAK, intitulado “Gestão Afetiva: como gerir uma escola sem perder a emoção”, faz-se necessário desenvolver em nossas crianças os verbos como pensar, criticar, sintetizar, estabelecer relações, refletir, analisar, justificar, argumentar, dentre outros que o excluirão da massa de manobra. Precisamos transformar as pessoas para que estas transformem o mundo, já dizia Paulo Freire.

Precisamos fazê-las com que saiam do seu estado inerte e servil para protagonistas e cidadãos críticos, fugindo ao controle do pensamento imposto pelo sistema.

 

E o último questionamento está em saber o porquê ainda ocupamos as piores posições no ranking mundial de educação? Em 2016 ocupamos, em um ranking com 70 países, a 59ª em leitura, a 63ª em ciências e a 66ª em matemática e esta colocação apenas reflete a desvalorização do docente, a permissividade do sistema e a omissão dos pais em relação aos estudos dos filhos. Ressaltado no livro “Escola não é depósito de crianças: a importância da família na educação dos filhos”, quando a família se interessa pelo aprendizado do seu filho, o seu rendimento escolar melhora.

 

Outros fatores de relevâncias é a pedagogia cínica que se deixa ensinar conteúdos estéreis que nada têm a ver com a realidade do aluno ou que não o levará ao mínimo de criticidade, e também a esterilização dos conteúdos ministrados.

 

Pode-se observar que dos questionamentos levantados, este é o que mais variáveis têm. O fato é, que se a escola deve ser considerada o segundo lar do aluno, porque o seu primeiro lar, que é a sua casa, não pode ser considerado como sua primeira escola, onde se aprenderá valores e desenvolverá seu caráter?

 

* Wolmer Ricardo Tavares Mestre em Educação e Sociedade. Autor dos livros “Gestão Pedagógica: Gerindo Escolas para a Cidadania Crítica”, “Escola não é Depósito de Crianças: A importância da família na educação dos filhos”, Editora Wak.

Fonte: Revista Escola Particular – Ed. 235 Out/2017